Para melhorar a oclusão e promover uma melhor distribuição das forças exercidas sobre os dentes, na Ortodontia existem tratamentos adequados que, como um todo, dependem da colaboração e da motivação do paciente. Um exemplo é o tratamento ortodôntico em duas fases: a primeira é feita antes da completa erupção dos dentes permanentes, por meio do uso de aparelhos ortodônticos removíveis ou ortopédicos e, em uma segunda fase, com a utilização de um aparelho fixo, para melhor alinhamento e nivelamento.

O diagnóstico precoce nas alterações do crescimento e do desenvolvimento da face e da dentição é extremamente importante para iniciar esse tratamento. O objetivo é aproveitar o potencial de crescimento e desenvolvimento da face, restabelecendo a oclusão e, de certa forma, favorecendo a estabilidade dos resultados obtidos.

O ortodontista deve ter um conhecimento sedimentado dos conceitos sobre o crescimento e o desenvolvimento craniofacial, bem como dos arcos dentários, de forma que isto possibilite ofertar ao paciente uma opção de tratamento que seja, ao mesmo tempo, efetiva e eficiente. Tendo em vista que o tratamento das alterações morfológicas e funcionais do complexo craniofacial está diretamente envolvido com os eventos do crescimento, o diagnóstico precoce destas alterações e a seleção do momento oportuno para a instituição de terapias adequadas tornam-se essenciais para o sucesso deste tipo de tratamento. A identificação correta e oportuna de todos os componentes envolvidos (esqueléticos, funcionais e dentoalveolares) permitirá não somente prevenir possíveis alterações ou corrigir problemas já existentes, mas também interceptar ou modificar as condições anormais apresentadas pelo paciente no primeiro momento”.

A grande questão relativa ao tratamento ortodôntico realizado nos pacientes em crescimento, em uma ou duas fases, é identificar quais pacientes realmente se beneficiarão com a escolha de um ou outro protocolo. O protocolo de tratamento em duas fases envolve uma intervenção inicial na fase de dentição mista precoce ou tardia, seguida por um período de acompanhamento, até que todos os dentes permanentes tenham erupcionado e uma segunda fase, com aparelhos fixos, possa ser iniciada. Após um tratamento de 12 a 18 meses, no qual o objetivo é obter espaço suficiente para o alinhamento dos dentes permanentes, diminuindo a necessidade de extrações ou mesmo diminuindo a discrepância entre os dentes superiores e inferiores, o paciente é acompanhado até a troca de todos os dentes (12-13 anos), quando normalmente é realizada a segunda fase do tratamento, com aparelhos fixos completos, para melhorar o alinhamento dos dentes permanentes.

Esse protocolo é instituído como uma tentativa de minimizar ou eliminar problemas esqueléticos, dentários e/ou neuromusculares identificados na dentição mista. As grandes vantagens do tratamento em duas fases são: redução da necessidade de extrações de dentes permanentes, redução do tempo de tratamento durante a adolescência, redução da necessidade de cooperação por parte do paciente e melhora da estabilidade em longo prazo.

Para prevenir possíveis problemas, a questão é em que época se deve proceder à primeira consulta do paciente infantil com o ortodontista. Esta deve ser realizada em torno dos cinco anos de idade. Nesta fase, a criança encontra-se no final da dentadura decídua e pronta para iniciar a fase de transição para a permanente, na dentadura mista. O ortodontista poderá realizar uma avaliação clínica intra e extrabucal.

Algumas mordidas abertas são causadas pela persistência do hábito de sucção digital nesta fase, sendo importante a eliminação do hábito até a erupção dos incisivos centrais permanentes superiores e inferiores, já que somente após esta fase alterações irreversíveis poderão ocorrer. O uso da máscara facial, nos casos de má-oclusão de Classe III, pode ser iniciado assim que os primeiros molares permanentes tenham erupcionado e os incisivos centrais permanentes tenham pelo menos iniciado a sua erupção. Com relação aos pacientes com problemas verticais (mordida aberta esquelética), uma grande preocupação é a obstrução das vias aéreas superiores, sendo indicado, nesses casos, o encaminhamento ao otorrinolaringologista.

 

 

                  

 

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