A doença celíaca é causada pela intolerância ao glúten, uma proteína encontrada no trigo, aveia, cevada, centeio e seus derivados, como massas, pizzas, bolos, pães, biscoitos, cerveja, uísque, vodka e alguns doces, provocando dificuldade do organismo de absorver os nutrientes dos alimentos, vitaminas, sais minerais e água. É uma desordem sistêmica autoimune, que de acordo com a Celiac Disease Foundation, afeta cerca de uma a cada 100 pessoas em todo o mundo.

Essa condição pode aparecer em qualquer idade e é caracterizada pela inflamação crônica da mucosa do intestino delgado, o que pode causar atrofia das vilosidades intestinais e, consequentemente, a dificuldade do organismo em absorver os nutrientes dos alimentos, vitaminas, sais minerais e água. Os sinais e sintomas clínicos apresentados vão muito além do trato gastrointestinal, incluindo condições de ordens endócrinas, neurológicas e odontológicas.

Alguns estudos que relacionam manifestações bucais com doenças gastrointestinais apontam que os defeitos no esmalte em dentes permanentes e decíduos podem ser consequência da doença celíaca; por vezes esses são os únicos sinais que apontam para essa patologia.

A hipoplasia de esmalte tem sido observada em pacientes adultos celíacos, distribuídos simétrica e cronologicamente nas quatro hemiarcadas dentárias. Estes foram denominados como defeitos no esmalte “tipo-celíaco”, com a seguinte classificação:

  • Grau 1: defeito na cor do esmalte;
  • Grau 2: discreto defeito estrutural com sulcos horizontais típicos;
  • Grau 3: defeitos estruturais maiores, com sulcos horizontais profundos e grandes fossas verticais;
  • Grau 4: defeito estrutural severo, no qual a forma do dente pode ser modificada.1

Além da hipoplasia de esmalte, de acordo com a National Foundation for Celiac Awareness, entre 4,5 e 15% das pessoas com doença celíaca também possuem a síndrome de Sjogren ou da boca seca, que também é uma doença autoimune nas glândulas salivares. Sem produção de saliva suficiente, sabemos quantos outros problemas podem ser desencadeados, como o surgimento de cáries, por exemplo.

Presença de lesões na mucosa oral, eritema ou ulceração, localizadas nos lábios, palato, mucosa ou língua . As úlceras foram o tipo mais comum de lesão oral, apresentando-se sob a forma de púrpura, papular ou erosiva, geralmente com a margem eritematosa.

A maior incidência de sinais e sintomas bucais (hipoplasia do esmalte dental, úlceras na mucosa bucal, dor ou ardência lingual), em pacientes celíacos, mostra a fundamental importância de reconhecer essas alterações como auxiliares no diagnóstico desta enteropatia, já que, muitas vezes, esses são os únicos sinais clínicos de uma doença que, se não tratada, mais tarde pode levar a complicações.

Essas informações não somente enriquecem nossa visão no tratamento do paciente já diagnosticado como celíaco, mas podem contribuir no pré-diagnóstico dos casos latentes ou assintomáticos. Percebê-las exige o envolvimento, não somente do gastroenterologista, mas também, de vários outros profissionais da saúde.

A integração multidisciplinar no tratamento e acompanhamento desses pacientes é fundamental.

 

      

 

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